RESILIÊNCIA...JÁ OUVIR FALAR?

Eu estava na sala de espera da médica, pensando na falta de tempo, correria, contas para pagar, ligações para fazer, lista de supermercado, assuntos ligados ao trabalho...tantas coisas para resolver e tanto tempo perdido naquele lugar.
Resolvi prestar atenção nas outras pessoas que estavam ali. Havia duas senhoras. Uma delas disse estar preocupada com seu filho, que havia deixado na escola, com um princípio de virose.
Eu disse: fique tranqüila, ele ficará bem. Ela me respondeu: meu filho tem síndrome de down e é bipolar. Quando está meio resfriado fica muito agressivo.
E então ela me contou sua vida, a partir do nascimento do seu filho, há 12 anos. Quatro anos depois, quando nasceu sua filha, seu marido a abandonou. Ela disse-me que nas reuniões escolares, constatou que a maioria das mães de crianças especiais foram abandonadas pelos maridos. E que esses maridos, acabam esquecendo-se dos filhos também. ( Mas deveriam ser ex –maridos e não ex-pais, não é?... ).
Contou-me que o caso do seu filho é severo, impossível de, por exemplo, colocá-lo em uma escola com grau de aprendizagem normal, hoje chamado de ‘Inclusão Social’.
Além de precisar atender as necessidades prementes de seu filho, ainda precisou encaminhar sua filha menor para acompanhamento terapêutico, pois a mesma iniciou um processo de infantilização e retrocesso cognitivo devido aos excessos de cobranças.
E essa mãe, estava ali, na minha frente, esperando sua vez para verificar como estava sua própria saúde.
Segundo ROGERS (1983) quando somos ouvidos de modo empático e à medida em que somos aceitos e considerados, tendemos a desenvolver maior consideração em relação a nós mesmos, permitindo desta forma, que sejamos propiciadores mais eficientes de nosso próprio crescimento. Daí a importância de sabermos ouvir também! De alguma forma, naquela tarde chuvosa, ela precisava falar, aliviar seu coração e sua alma, e eu estava lá para ouvir aquele testemunho de Resiliência.
Resiliência é essa capacidade de vencer as dificuldades, os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que sejam. Resiliência é a capacidade que temos de descobrir uma fortaleza dentro de nós mesmos.
É curioso como no decorrer de nossas vidas, somos obrigados a lidar com perdas irreparáveis que, aparentemente, nos desintegram emocional e psicologicamente. Sentimo-nos ‘sem chão’, num abismo. (Foi assim que me senti, quando perdi minha mãe há 12 anos... Pensei que fosse o meu ocaso também. Precisei reorgarnizar-me, flexibilizar minha existência, descobrir novas formas de entender a vida.)
Saí do consultório, acreditando que, verdadeiramente, meus problemas são praticamente inexistentes perto dos problemas daquela senhora e eu só tenho uma coisa a fazer: agradecer a Deus pelos milagres que cercam minha vida.

Comentários

  1. Já ouvi falar sim. Entendo resiliência como uma resistência ao que o mundo insiste em dizer que é puramente ruim, quando na verdade tem pontos positivos, nem que seja apenas a possibilidade de demonstrar superação.

    Ou amor, como é o caso dessa senhora.

    Quem usa o ditado de que "a grama do vizinho é sempre mais verde", ainda não tem o nível de compreensão de que outras pessoas têm problemas muito, mas muito maiores do que os nossos, e que devemos seguir sempre em frente sem esmorecer.

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  2. Olá Carmem. Muito bonita sua mensagem. É preciso fé e coragem para não desanimarmos e vencer os obstáculos diários.

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  3. Já ouvi falar em resiliencia em 2006. Mas entendo resiliencia como algo muito mais amplo. Seria como a capacidade de alguém em superar obstáculos instransponíveis para a maioria das pessoas e ainda assim conseguir superar o nível de sucesso e felicidade das outras pessoas.
    E o que é melhor: resiliencia é algo que pode ser aprendido. Acredito que seja uma habilidade e não um ``dom``.
    Abraços e parabéns!
    Vou continuar a ler os outros textos, porque gostei muito desse.

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  4. Queridos Luilton, Heloisa e anônimo, muito obrigada. A Resiliência é sim, uma aptidão e está ao alcance de todos nós, mas, em geral, é alavancada em casos de extremos reveses. Indubitavelmente, é uma conquista maravilhosa, que nos confere um selo de plenitude.

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  5. Resiliência para bem-viver... apreciando seu espaço cá... seguindo... ;)

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  6. Resiliência.... aprendi também.

    O interessante é que durante 25 anos tive uma carreira executiva em grandes corporações, na área de recursos humanos... e sempre pensei em resiliência como uma competência profissional.

    Hoje, percebo e agradeço que os meus 50 anos de idade tenham me trazido o entendimento completo a respeito dessa "capacidade", vamos assim dizer.

    Resiliente, eu sou!

    Beijo procê menina!
    Meridiano Digital
    (Marilia Borges)

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  7. Marília minha querida!!Com certeza!! Guerreira!! Obrigada por estar aqui!!
    Francisco, que bom, bem-vindo!! Pessoas do quilate de vocês é que enriquecem nosso debate!!

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  8. E há tantas pessoas como essa mulher no mundo! Apenas se nos lembrássemos delas em nossos momentos de dificuldade!

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  9. Ola, Carmen.
    Entrei em seu blog hoje, pela primeira vez.
    Muito interessante e rico.
    A Internet nos permite saber que por este país afora existem pessoas com mente e alma privilegiadas, contribuindo para o enriquecimento de nossa cultura e de nossa sociedade.
    Continue assim, sempre. No que eu puder colaborar, conte comigo.
    Parabéns!!

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